Imóveis fechados entram na mira do combate à dengue em Campo Grande – CGNotícias

Portões trancados, quintais silenciosos e imóveis vazios podem esconder um inimigo já conhecido dos campo-grandenses: o mosquito Aedes aegypti. Para enfrentar esse desafio, a Prefeitura de Campo Grande formalizou nesta semana uma parceria inédita entre a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), a Secretaria Especial de Articulação Regional (Sear), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades) e o Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Creci-MS).

A iniciativa transforma corretores e imobiliárias em aliados estratégicos no combate às arboviroses. A proposta é ampliar a vigilância em imóveis fechados, desocupados ou disponíveis para venda e locação, locais que frequentemente se tornam pontos de proliferação do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.

Durante as visitas, vistorias e acompanhamentos de imóveis, os profissionais do setor imobiliário poderão identificar situações de risco, orientar proprietários e comunicar irregularidades. A intenção é colaborar na eliminação de possíveis criadouros do mosquito, evitando o acúmulo de água parada – principal condição para proliferação do Aedes aegypti.

Capacitação

A parceria também prevê capacitações promovidas pela Vigilância em Saúde, por meio do “Projeto Colaborador Voluntário”, que já reúne mais de 300 instituições parceiras de Campo Grande.

A superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo, explicou que os imóveis vazios representam um dos maiores desafios para os agentes de endemias.

“Andando pela cidade, percebemos que existem muitos imóveis à venda ou para alugar. Aqueles que têm placa de imobiliária, ainda conseguimos contato. O problema são os imóveis em que não conseguimos localizar os proprietários. Muitas vezes sobra todo o trabalho para o poder público, porque alguns proprietários já não moram mais aqui ou existem disputas judiciais envolvendo o imóvel”, explicou.

Veruska, destacou que os imóveis abandonados acabam se tornando locais vulneráveis, tanto ao descarte irregular de resíduos quanto à proliferação do mosquito, portanto, o controle de vetores tem que ser constante e imediato. 

“Para nós, enquanto Secretaria de Saúde, não adianta só notificar o proprietário daquele terreno ou daquela casa abandonada, se não houver a limpeza do local, porque o problema permanece. O risco para a população continua ali”, enfatizou.

Ela contou que o “Projeto Colaborador Voluntário” já existe desde 2019 e tem sido benéfico para ampliar a rede de observação e prevenção na cidade.

“Hoje já temos mais de 300 instituições participando do projeto, entre universidades, conselhos de classe e várias entidades. Os corretores entram para somar nesse trabalho. Muitas vezes, o profissional chega para mostrar um imóvel e identifica um foco do mosquito e consegue eliminar naquele momento. Às vezes é uma planta esquecida, um recipiente com água acumulada, após a chuva. Esse olhar preventivo faz toda a diferença”, concluiu.

Outro destaque da iniciativa é a criação do selo “Imóvel Livre do Aedes Aegypti”, que deverá reconhecer os imóveis e as imobiliárias que estão comprometidos com boas práticas de manutenção e prevenção

Além do reforço nas ações preventivas, a parceria amplia o alcance das campanhas educativas e fortalece a mobilização social no enfrentamento das arboviroses, unindo poder público, setor imobiliário e comunidade em torno de um objetivo comum: reduzir os riscos à saúde da população.

Para o presidente do Creci-MS, Roberto da Cunha, a parceria representa um ganho coletivo para a cidade e o envolvimento das equipes técnicas nesta iniciativa irá facilitar o trabalho dos corretores.

“É um ganho para a população de Campo Grande, essa parceria com a Prefeitura Municipal. Assinamos esse compromisso e vamos trabalhar para desenvolver esse trabalho ao longo do tempo. Hoje, assinamos algo que vai beneficiar toda a população”, destacou.

“O termo de cooperação é muito importante para a administração municipal. Essa parceria com o Creci, a Sesau e a Vigilância Sanitária fortalece o cuidado com terrenos e imóveis da cidade, contribuindo para a prevenção e acompanhando o crescimento de Campo Grande”, destacou o secretário da Semades, Ademar Silva Júnior.

Rede de Prevenção

“O combate à dengue precisa acontecer antes da doença chegar às unidades de saúde. E isso só é possível quando toda a cidade se envolve. Essa parceria amplia nossa capacidade de prevenção justamente em um dos pontos mais desafiadores para o poder público, que são os imóveis fechados, vazios ou sem acompanhamento frequente. Ao envolver os corretores e as imobiliárias nesse trabalho, criamos uma rede de vigilância muito mais eficiente e próxima da realidade da cidade”, destacou o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela.

Ele ponderou que cada foco eliminado representa menos risco de transmissão, menos pessoas adoecendo e menos pressão sobre o sistema de saúde. “O Aedes aegypti se aproveita de pequenos descuidos e, muitas vezes, um imóvel aparentemente sem uso pode se transformar em um grande criadouro. Por isso, precisamos desse olhar atento e da colaboração de todos.”

Essa iniciativa reforça que saúde pública se faz de forma integrada, com união entre gestão pública, instituições e sociedade. “Quando cada setor assume sua responsabilidade, conseguimos agir de maneira mais rápida, preventiva e eficaz para proteger a população de Campo Grande”, finalizou Vilela.